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CINCO CONTINENTES EM duas rodas
 
"A idéia veio quando eu era adolescente e li, em uma revista especializada em moto, uma matéria sobre um colombiano que tinha largado familia, filhos e trabalho para partir em uma motocicleta.

Ele so retornou para a Colômbia 11 anos depois após ter percorrido o mundo. Achei a aventura fascinante. Eu cresci, estudei, trabalhei mas sempre quando alguma coisa não dava certo na minha vida por algum motivo o sonho voltava, quase como uma fuga."
RAPHAEL KARAN
 
RAPAHEL KARAN, EX-EXECUTIVO DA ÁREA DE SHOPPING CENTER, FORMADO EM ADMINISTRACÃO DE EMPRESAS, RESOLVEU ABANDONAR TUDO PARA SEGUIR UM SONHO: RODAR OS CINCO CONTINENTES EM CIMA DE UMA MOTO.

A primeira grande viagem de motocicleta foi em 1993, quando passou por seis paises europeus em 75 dias, percorrendo 11.500Km. Em 1996 viajou para Chile e Patagônia Argentina. Em 1999 a idéia transformou-se em um projeto e em 2000 ele partiu para sua primeira aventura: atravessar 28.000Km , pela Américas, viagem que durou sete meses: "E preciso muita determinaçao, estou realizando o sonho da minha vida."

Até o momento, Raphael já percorreu quatro continentes e 40 países sobre duas rodas, um total de 97.000 Km. A recente etapa, concluída no final de março de 2004, foi a Oceania. Foram 22.000 km pela Austrália e Nova Zelândia onde teve a oportunidade de conviver com tribos aborígenes e aprender a dançar a Haka, dança de guerra dos Maoris, primeiros habitantes da Nova Zelândia.
 
No dia 26/11/04 Raphael partiu para mais uma aventura: viajar pelos 26 estados brasileiros. Abaixo, o trecho de uma carta enviada por Raphael à Revista Motociclismo(n.48 . dez 2001, pp47) onde narra algumas curiosidades do Irà e PaquistÃo:
   
"Depois de 17 dias percorrendo o território do Ira, comecei a visitar lugares muito interessantes. Como as cidades de Tehran, capital do Ira, e Sfahan, a antiga capital iraquiana. Porém o mais interessante foi conhecer Persepolis, nascida a cinco séculos antes de Cristo e Arg-E-Bam, um municipio em ruinas que foi cercado por muros no seculo XVII.

No Ira não se pode ficar sem camisa. Outra curiosidade relacionada aos costumes é que lá não se usa faca como talher. Para comer, os iraquianos utilizam apenas garfo e colher. A justificativa encontrada por eles é que comer assim é mais fácil. Até que faz sentido. Em todos os locais onde parei uma multidão se aglomerava em minha volta. A maioria muito simpatica mas sempre aparecia algum estúpido para estragar um pouco daquela euforia.

A fronteira do Paquistão se aproximava e o fantasma do "carnê de passagem" voltava a me assombrar. O nome Brasil, na Asia é sinônimo de futebol. E esse detalhe às vezes ajuda muito. Tanto que na fronteira com o Paquistão contei aos guardas que o "pais do futebol" não existia a emissão do tal carnê que eles haviam solicitado. Mostrei a eles as revistas Motociclismo Magazine, que recebo por meio da DHL. Depois de apresentar as publicaçoes, consegui ultrapassar a fronteira. Rodei 140 Km debaixo de um calor infernal em pleno deserto paquistanês, parei em um vilarejo chamado Nok Kundi para dormir.(…)

(…) No Paquistão quase nao se vê mulher na rua pois, segundo a religião muçulmana, as pessoas do sexo feminino devem ficar dentro de casa. Na ocasião em que eu estava no Paquistão ocorreu o atentado em Nova York. Tenho a impressão de que as emissoras de TV ou jornais fazem as coisas parecerem melhores ou piores dependendo da intençao do meio de comunicaçao.

Mas o mais incrível é que, mesmo depois do atentado, nada de diferente ocorreu e a populaçao continuou vivendo normalmente. O povo muçulmano é muito hospitaleiro, bem diferente da versão que nos encontramos nos meios de comunicaçao. Tiveram algumas passeatas contra o apoio do Paquistão aos EUA. Minha familia, amigos e apoiadores do projeto pediram para que eu interrompesse a viagem. Quase todos os turistas com que conversei estavam interrompendo a viagem e voltando para os seus paises de origem.

Em grandes cidades como Lahore e Islamabad, a sensação é de que o tempo parou no seculo XVI ou XVII. Há milhares de carroças puxadas por camelos, burros e bois. As residências são de barro ou palha e o povo come na mão ou utiliza um pedaço de pão para pegar a comida. Mas independente da pobreza, a populaçao paquistanesa sempre foi muito hospitaleira comigo. Me deixaram acampar em seus quintais além de me oferecerem comida e bebida. De acordo com eles, eu era um convidado. Na capital Islamabad, eu consegui regular as agulhas dos carburadores e o consumo do combustível voltou ao normal. O preço da gasolina ali é por volta de meio dolar o litro.

Outubro chegou... Faz cinco meses que deixei o meu querido Brasil. A saudade vem sempre no fim de tarde, quando acampo sozinho, embaixo de uma árvore. Mas quando amanhece sigo viagem pelas estradas, sem deixar espaço para os pensamentos melancólicos. Como diz um amigo meu:"Você não deve olhar pra trás."
 
" PARA SUAS VIAGENS, RAPHAEL KARAN OPTOU PELO CASACO R-SERIES, CALÇA STORMER E BOTA X-TRACK DA SPIDI, SUA PATROCINADORA OFICIAL "
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